PIRATARIA
É com actos que nós provamos que
estamos prontos a apoiar algo que
consideramos ser importante.
Henning Mankell
No momento em que escrevo, o famoso escritor sueco Henning Mankell, grande amigo de Moçambique, onde viveu por longos períodos ao longo dos últimos 20 anos, trabalhando no Teatro Avenida com o grupo Mutumbela Gogo, está detido, em Israel.
Henning viajava a bordo de um barco sueco que fazia parte de uma flotilha que levava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, zona palestina bloqueada pelas autoridades israelitas.
A flotilha, quando se encontrava ainda em águas internacionais, foi interceptada por navios da marinha de guerra israelita. Em seguida comandos foram desembarcados, a partir de helicópteros, nos barcos que transportavam o apoio humanitário. No navio que comandava a flotilha foi ouvido tiroteio e, mais tarde, foram reportadas mortes e numeroso número de feridos.
Dado que as autoridades israelitas cortaram imediatamente todas as comunicações com o exterior não se sabe, até ao momento, quantos foram os mortos e quem eles eram. O mesmo se passando em relação aos feridos e à gravidade dos seus ferimentos.
Até ao momento a propaganda israelita ainda não foi capaz de mostrar que os barcos da flotilha transportavam algo que pudesse, de alguma maneira, pôr em causa a segurança de Israel. E, não tenhamos dúvidas, eles já teriam inundado os órgãos de informação de todo o mundo se tivessem encontrado uma simples pistola.
Ao atacarem barcos civis, em águas internacionais, os israelitas cometeram um acto de pirataria ou, como também já foi descrito, de terrorismo de Estado.
Para além de Henning Mankell estariam na flotilha uma vencedora do Prémio Nobel, a irlandesa Mairead Corrigan Maguire, e vários deputados de países europeus.
Sabendo, é certo, que o governo de Israel não irá nunca ser punido por este crime, porque os seus padrinhos ocidentais não o irão permitir, não posso deixar de exigir a libertação imediata do Henning Mankell e de todos os outros activistas detidos com ele e, neste momento, em prisões israelitas e sem contacto com o exterior, e a condenação mais forte a um governo que pratica actos deste tipo para manter a sua opressão, violenta e arbitrária, contra o povo palestino.
Deixar impune este acto lamentável seria mostrar completo desprezo pela lei internacional, pela existência de regras a regulamentar o convívio pacífico entre os povos e países. Seria reconhecer que Israel pode espezinhar leis e tratados internacionais sempre que os seus paranóicos dirigentes o decidirem, sem recear as consequências que lhes poderiam advir de um tal acto.
Israel não pode estar acima da lei internacional. Israel não pode continuar a ser autorizado a fazer aquilo que é proibido a qualquer outro estado.
PS 1 – Na semana passada referi aqui um relatório da Iniciativa de Monitoria da Governação Local. Por lapso, de que peço desculpa, não referi que a Iniciativa é realizada por 4 organizações: Associação Moçambicana para o Desenvolvimento e Democracia, Centro de Integridade Pública, Grupo Moçambicano da Dívida e Liga dos Direitos Humanos.
PS 2 – Sobre a cerimónia que ocorreu numa escola secundária da capital do país só posso citar Samora Machel quando ele gritava: Abaixo o Obscurantismo!
E lembrar que, nessa altura, todos nós, incluindo alguns que apareceram agora a apoiar o sacrifício dos bois e cabritos, lhe respondíamos: Abaixo!
File: Pirataria
Escrito a 01 Jun 10